sábado, 30 de julho de 2011
Direito de Amar
Se exibisse o sorriso ridículo e comprometido
Dos envergonhados do reflexo
No espelho da alma
Seria tão fácil…!
Se cobrisse dos olhos o sol com a peneira dos dedos
Escondesse da sociedade a muda verdade
Seria tão fácil…!
Não incomodava!
Não agitava!
Não vivia!
Pois que a boca seja eco e voz
Atropele o comodismo das multidões
Rasgue conceitos preceitos tabus preconceitos!
Que as minhas palavras desamarrem o navio
Submerso no lodo da homofobia!
Que o meu discurso os faça entender
Esta forma de ser clarão e trovoada
Maré revolta e maresia!
Quero gritar bem alto esta minha paixão!
Quero que o mundo reconheça nas pétalas das flores
A alegria de serem diferentes
Nas formas e nas cores!
Quero que nas bancadas dos intolerantes
Entre venenos e retóricas
Se façam discursos diferentes!
Quero ver nos rostos de quem passa
O sorriso sereno de quem entende
Que todos temos direito a um caminho
Muito próprio, muito nosso
Sem o dedo acusatório e intimidativo
Sem a critica dilacerante e infeliz
Sem o escárnio de um amor pisado
Condenado a ser infeliz!
Na tribuna do mundo levanto a voz
Para gritar aos demais:
Sim, sou gay, eu amo!
E vós? Amais?!
Agora é que os ventos apregoam a esperança
Num pregão de alegria e júbilo
Como um impulso, uma força, uma voz!
Agora é que se abrem as comportas da transparência…
Jorram fios de felicidade sobre nós!
Somos os garimpeiros do arco-íris!
Na arca de ouro do coração dos homens
Encontrámos um rio de tolerância…
Banhai-vos nessas águas!
Não impeçam a paixão
De arar os caminhos que quiser
Ela é o brilho no olhar
De quem quer amar!
Queremos viver!
Quebremos a engrenagem emperrada
Que a todos quer clonar
Numa igualdade forjada
Pelo vício da infelicidade
Onde o homem tem direito a um número
E mais nada!
Nesta estrada já tão cansada
Do desperdício conservador
Almejai um mundo mais perfeito!
Assim como vós precisais gritar ao mundo
O amor incontido no peito ardente
Também preciso sangrá-lo
Do mesmo jeito... Mas diferente!
Deixem-me viver!
Fito estes pinheiros mansos
Que se erguem erectos e plenos
Livres e sãos…
São como eu
Erguido diante de vós
Com o coração nas mãos!
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